28/01/2012

Sós

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Digo que não tem nada, que é só saudade

- Só?
- Só.

Como se saudade
fosse pouca coisa

25/01/2012

Dois exercícios saudáveis

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1. Ler cartas, bilhetes, rabiscos de amores antigos
2. Livrar-se de todos eles.

Dançando e só

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Estive num daqueles ataques súbitos de tristeza, mas não porque ando triste:
saudade nem sempre é sentida de forma boa,
saudade é uma coisa triste e inspirada lá pelas tantas, sempre diferente
sempre fazendo me sentir sozinha.
Contudo tanta saudade é tanto mais lembrança,
e lembro e lembro e não deixo de lembrar das infinitas pequenas coisas que partilhamos todos os dias: e desde então nunca mais estive só.

Incapaz

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Certas vezes
reduzo os meus paralelismos
igual ao véio Machado
mas o efeito
nunca é o mesmo

23/01/2012

Sobre existir

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E se a vida fosse mais devagar?
E se todos morassem em casas simples
existissem tranquilamente
usassem chinelo
criassem os filhos e
vivessem apenas para a família, para Deus, para os que precisam
E se todos apreciassem a mansidão?
Gostassem de livros, de bichos, de grama, de ar puro?
E se na vida houvesse mais vida?

Água Salada e Areia

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Há muito tempo, quando só havia terras e água doce...

Era uma linda jovem, era magra, era seios fartos, era o que muitos sonhavam. Não era muito alta, era doce na voz, ácida no jeito, a mistura lhe fazia bem. Ele gostava dela, ela o amava. E por muito tempo foram assim próximos, bem próximos, sem nada mais que isso.

Ela o amava, ela realmente amava ele. Ele não percebia, e assim foi sempre. Ele sempre bem cercado. Sempre com quem queria e até com quem não queria, só que aproveitava as oportunidades. E um dia, ele gostando dela, resolveu colocar ela em sua vasta lista de conquistas. E assim foi, conquistou mesmo. E ela o amava, ela realmente amava ele. Ele gostava dela. Eles ficaram mais próximos, muito mais próximos que antes, muito mais próximos que ele costumava ficar das outras. Isso passou a ser um incomodo, passou a ser algo que lhe talhava o sono. Ele não queria ser indelicado, mas não queria deixar sua vida antiga pela menina nova. O egoísmo o consumia.

Ele a ignorou, por dias e semanas. Onde via que ela estava saia sem dar a ela oportunidade de conversar. Se sabia que ela sairia para algum lugar, não saía. Se descobrisse que ela estava chegando, embora ele ia. Ela o amava, ela realmente amava ele. Então ela chorou, ela chorou muito. Ele continuo, dia a após dia como antes. Ela não entendia por que ele a fez sofrer, ela o amava. Ele gostava dela, não tanto a ponto de passar por cima dos seus próprios interesses para ser delicado com ela.

Aos poucos as lágrimas secaram nela e nele a saudade dela bateu. Foi então que ele aos poucos percebeu que amava ela. Tarde já era. Ele foi atrás dela. Ela o aceitou. Ela o amava, mesmo? Não mais, era tudo sórdida vingança. Sórdida porém prazerosa. Eles voltaram a ficar tão próximos. Ele a amava, ele realmente amava ela. Ela adorava a vingança. E ela o ignorou. Ele chorou, chorou.

As lágrimas secaram de ambos, as saudades sempre voltavam em ambos. O orgulho dos dois segurava eles. E tanto amor se perdia.

O que tudo criou então achou pertinente intervir. Disse à ele que como exemplo para todos ele jamais poderia voltar a tê-la em seus braços. E para ela disse que ela jamais poderia sentir ele plenamente outra vez. E ao dois disse: estarão um ao lado do outro, dia após dia, se tocando, sem poder mais nada. Ao homem caberá beijá-la todos os dias, mas apenas seus pés. E à mulher caberá sentir o beijo apenas. O homem será o mar, água salgada, para ter o gosto ruim do teu egoísmo ridículo. A mulher será a orla, areia salinizada, para não gerar frutos como sua vingança torpe.

Por fim ele completou: vocês ficaram assim se encontrando e separando, sem jamais poderem aproveitar o que todos os outros casais podem. Serão sempre o egoísta e a vingativa, e aquele amor de vocês sempre estará guardado e apenas guardado.

E pela eternidade ele ficaram assim... E ainda ficam...

Prece

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...nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
...nenhuma prece me importa
afora aquela que tua presença imploro.

16/01/2012

Obra prima

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Os tons de amarelo escorriam do topo da imagem enquanto o fundo azul tornava toda aquela cena algo muito próximo da pérola de Vermeer. Mais a esquerda, os tons rosados uns pouco mais brando do que aqueles encontrados em pêssegos ainda não tão maduros eram entrecortados, vez ou outra, por pequenas faixas de branco ou bege, bem claras, como se os lençois maranhenses ao invés de contrastarem com o azul do mar se erguessem sobre grandes plantações de pêssego.
Seria considerada uma belíssima pintura mas ela se movia. E sorria. Era mulher.

12/01/2012

Dos meus dias

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Passei uma ultima polo. Confessos que nos dois últimos dias não fiz isso. Amanhã(sexta-feira) merece isso. Será minha despedida do meu primeiro estágio na área médica. Minhas roupas já não combinam entre si, não ligo e até ri disso hoje. Os semáforos para pedestres estavam todos aberto para mim hoje.


Para estagiar em São José-SC - em um posto de saúde - minha moradia mudou para Florianópolis, na bela ilha. E aqui cheguei mal-humorado, decepcionado com muitas coisas. Coisas essas que pouco me desrespeitavam, mas que muito me incomodavam.

E assim cheguei para ser recebido pela Drª. Mª. Betânea. E para um jovem que é acadêmico a pouco tempo, as horas ao lado dela foram de grande ganho intelectual e teórico. Tive contato com informações novas, aprofundei conhecimentos já tidos e relembrei outros. Aos poucos a barreira que era a falta noção teórica foi sendo atenuada e driblada pela doutora e pelas próprias situações que surgiam. Mas o grande ganho para mim não foi intelectual, foi no lado humano.

Estive bem próximo da relação médico-paciente. Vi discussões, vi cenas de desconfiança, doçura, carinho, esperança. Vi as múltiplas faces que um médico assumes buscando zelar pelo bem estar de seu paciente. E assim é nossa vocação, buscamos zelar pelo bem estar dos pacientes. Não que seja nossa responsabilidade dar educação ao mundo, contudo uma boa explicação de algo aumenta a instrução das pessoas. Se os pacientes querem contar seus problemas, suas alegrias, suas decepções; precisamos ser ouvidos e palavras boas.

Não estamos roubando da pedagogia ou da psicologia suas funções. Estamos dividindo. Deixar de prestar esse auxílio é a mesma coisa que um PM do 12º Batalhão não efetuar uma prisão em flagrante na região do 7º Batalhão pois não é sua área. A área comum dos PM's é o estado, a nossa, o ser humano.

Saio da minha primeira experiência clínica com a certeza de que não nasci para: diagnosticar, prescrever, assinar e carimbar. Minha vocação é buscar entender melhor o ser humano e sempre que possível ajudá-lo. Ajudar, pensando assim nos aproximamos de outras profissões, inclusive dos palhaços. E alguns médicos beiram ao clownesco, mas faço minhas as palavras de um médico bem mais experiente que esse estudante de medicina: "não preciso fazer rir todo dia, preciso ser competente todo dia".

Dos meus quase 14 dias aqui tenho grandes informações da parte clínica para contar. Tenho várias histórias de pacientes interessantíssimas, mas uma até já tem gente interessado em contar. Resolvi falar sobre minha formação humana, onde tive um ganho muito interessante. Me sinto bem com minha vocação, me sinto bem como pessoa, me sinto de bem com a vida.

Obrigado!

* Existem certas pessoas sem as quais as coisas por aqui não teriam acontecido. Meu pai, minha mãe, Bianca, Darvil e a Drª. Mª. Betânea, é claro.

Saudade que num passa

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Cozinho vina, como ela fazia
Dou gargalhadas, como ela fazia
Choro nos filmes melosos, como ela fazia
Podo as roseiras, como ela fazia
Furo meus dedos, como ela fazia
Como queijo com goiabada, como ela fazia
Fico mal-humorado na TPM, como ela fazia
Faço dieta para o verão, como ela fazia
Respiro todos os dias, como ela fazia