24 de dez de 2012

O silêncio precede...

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Já há muito pensava nesse título, e ter título e não ter texto me é comum. Talvez um texto presente de natal ou de começo de 2013 para aqueles que gosto. Escrever: gosto muito. E é impossível que nesse tempo sem dizer nada eu apareça com as frases feitas "não sei bem sobre o que escrever" ou "resolvi escrever do nada". Eu os respeito, pensei muito no que escrever; tracei esboços mentais, principalmente nas minhas viagens. A estrada tem um poder sobre mim, ela é capaz de me estimular aos extremos.


Amadurecemos. Amadurecemos! Amadurecemos?! Amadurecemos? O que fizemos como geração que queriamos ser? O que fizemos como poetas que somos? O que fizemos como seres humanos dignos que irrefutavelmente deveriamos ser?

Eu sonhei com um fluxo de ideias constante, com um fluxo de sentimentos constante, com um fluxo crítico sobre o mundo constante. Vi muito disso. Mas como um artrópode, crescemos e era a hora da muda. Não a fizemos; ou a fizemos mas não foi efetiva. Talvez o eco tenha sido menor do que eu sonhava, só que considero grande quando penso que sozinhos teriamos conseguido menos. Mas há sempre tempo de uma nova muda.

E como grande obra, nosso melhores versos: nossa vida. Porque até o ato de ser mau é poesia - algo perto de Augusto do Anjos. Os sofridos, Castro Alves; os irônicos, Gregório de Matos; os bipolares, Fernando Pessoa - digo multipolares. A arte imita a vida, concordo; poesia não é arte, senão é a própria vida disfarçada em toantes e aliterantes. Quer rima mais rica que o sorriso; e não menospreze as esdrúxulas: a cópula é valiosíssima. O duro é saborear o byronismo de alguns, ou pior: aqueles que insistem na poesia macabra. Intragável e indigesto.

Quanto ao terceiro questionamento, simples: pouco, pouquíssimo, quase nada.

Talvez o título pudesse ser "eu e meus quase 21". Penso no que sonhava com 14, já com 15 eu festava. Penso no que fiz aos 16 e na revolução mental dos 17. E me vem a cretinisse dos 18 e 19. Por fim os 20, sem muito o que falar.

Eu queria protestar, eu queria questionar. Busquei não ligar para as imposições daquilo que chamamos de sistema, depois me pareceu inútil e então usei as atribuições para um satisfação pessoal. Mas aos poucos senti que deixava muito de mim para trás, então a escolha foi estudar. Educação como ferramenta de mudança. Mas os lábios que não falam me conquistaram e mergulhei na onda cretina ao mesmo tempo que estudava.

Sonhei ser jornalista, porque assim poderia denunciar aquilo que está errado. Tolice, moramos num planeta onde a imprensa é livre para se vender para qual anunciante quiser. Os jornalistas são livres para decidir se irão trabalhar nos veículos de comunicação atrelados a certo político ou partido. E ainda tem que se ouvir que os donos de jornais são jornalistas. Sonhei e optei pela medicina, ou como ouvi recentemente "se vendeu pro dinheiro".

Tenho medo de ter me vendido mesmo, ou se a realidade é que aos poucos nos transforma. Eufemismo, na verdade ela suga nossa pouco de nossa essência. Medo sim, de deixar pra trás o que me trouxe até aqui. Não quero que a injustiça me incomode hoje, e que amanhã eu não ligue, pois pode ser que um dia eu esteja a serviço dela. Ou pior, ser um beneficiário da injustiça que fala mal dela e nada faz. Por sinal essas pessoas é que muito me instigaram a lutar contra as coisas que desaprovo. 

Os covardes tem o dom de fazer você se sentir um nada por aceitar a realidade como é, mas eles são piores, são mantenedores dessa realidade. E algumas vezes já olhei no espelho e me vi assim, com o discurso pronto para estimular, só que apenas os outros.

Nesse tempo as paixões e os amores foram inconstantes. Muito por ter sido desajeitado, fora de forma e envergonhado por um tempo e depois muito por ser cafajeste. Mas esses dias me deparei com um pensamento que ficou uma viagem inteira martelando na minha cabeça:

Paixão é solstício
Amor é equinócio

Penso eu assim, paixão é fervor. Sua vida se descompensa com aquilo, uma parte da pessoa se destaca mais que as outras. Já no amor as coisas ficam mais equilibrada, e você consegue dar o devido valor a pessoa já que a luz não destaca nada em especial. Eu acho que minha explicação está ruim, mas os versos se autoexplicam.

E para finalizar o período em silêncio, só faltou falar de saudade. Transcrevo uma pequena histórinha:

O escritor português José Saramago muito acompanhou os trabalhos da equipe do Houaiss. E Mauro Vilar apresentou a ele o verbete "saudade". E Saramago ao ler disse "Vocês não estão fazendo só um dicionário, estão fazendo poesia". Abaixo segue o verbete que comoveu Saramago e depois eu.


Sau.da.de. - 1.    sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (freq. us. tb. no pl.)

1 comentários:

Anônimo disse...

Quanta insegurança num egocentrismo infantil piá! Acorda! Ninguém te obriga a nada nem ninguém quer saber das tuas escolhas. É fácil debitar nas costas dos outros as cagadas que a gente faz. Cresce e assume . Vendido está, vendido seja, sem nostalgias de 15 anos que nao levam a nada. Vc faz suas escolhas e assume. Nào precisa se justificar, porque ninguém está interessado nisso, a nao ser que vc se ache alguém...